A nossa existência, por si só É resistência que desata o nó Cada passo, cada tom, cada voz É coragem emanando de nós Corpos livres, sejam quais forem Irradiam luz e a muitos ferem Os que pregam moral e pureza Cobrem-nos de culpa, tiram leveza Tentam ditar o que é decente Mas não calam quem é diferente Não fugimos da luta Somos filhos da labuta E mesmo quando insistem em nos rotular É só mais uma tática para nos anular Dividir para enfraquecer e melhor conduzir Impedir que juntos possamos gritar e reluzir Apesar de igualdade como pauta E dizerem que empatia está em alta Continuam a apontar cada menor falta Alegando se tratar de uma sociedade cauta Aprenderam a linguagem da truculência Assim, lançam mão da violência Fazendo campanha pedindo paciência Falando em ordem com aparência De proteção, mas é só aliança Entre o poder e a desconfiança Mas chegou a hora de curar E o amor não vai mais recuar Nem quando inflam nosso medo Nem quando dizem que ainda é cedo Vem, toca minha pele, me abraça Beija-me, enche-me de tua graça Vamos tomar as ruas, as praças Chamem de drama, chamem de pirraça Apenas quem sofre sabe o peso da caça Quem vive sabe o pânico na mira da ameaça Dizem que nossa herança É preguiça, é desgraça Não é tolerada mais nenhuma mordaça Agora somos pedras e não mais vidraça Chega de preconceitos, disfarçar Em meio à polida fumaça Onde nos puseram não foi gratuitamente Não se esconda nessa pose de inocente É tempo de ancestral resgate De toda voz que a dor não abate Força que não se corta, nem desgasta Raiz que nenhuma moral afasta Chega de nos caçar Nada mais de adoecer ao internalizar Deixem-nos passar Pela avenida, deslizar Evoluindo, cada um fazendo sua parte Cada corpo em seu verdadeiro estandarte Natural, livre, carregando seu baluarte Nosso próprio estado da arte É, chegou a hora de curar E o amor não vai mais recuar Nem quando inflam nosso medo Nem quando dizem que ainda é cedo Vem, toca minha pele, me abraça Beija-me, enche-me de tua graça Vamos tomar as ruas, as praças Chamem de drama, chamem de pirraça Apenas quem sofre sabe o peso da caça Quem vive sabe o pânico na mira da ameaça Chegou a hora de curar O amor não vai mais recuar Sim, o amor não vai mais recuar Vem, toca minha pele, me abraça Beija-me, enche-me de tua graça Vamos tomar as ruas, as praças Abraça-me Beija-me Tanta graça Pelas praças