Comecei no rap quando ouvi o som do Eminem Pensei: Se ele fez, eu também posso ir além Era só um fone velho e o caderno na escola Enquanto o mundo girava, eu rimava fora da rota Na infância o rap me salvou da ilusão Me mostrou que a caneta pode mudar uma geração Entre becos e vielas, o barulho da sirene Aprendi que se trabalha o dobro conforme a melanina que você tem na epiderme Não tem atalho, é suor, é disciplina Enquanto uns ganham herança, outros só poeira fina O corre é bruto, mas o sonho é resistente Porque quem nasce preto e pobre já nasce sobrevivente A quebrada é o espelho do país em colapso Gente boa morrendo, sistema falido em lapsos Mas ainda tem moleque rimando no portão Transformando a dor em arte, e o ódio em superação Eu sou o som das ruas, do trabalhador cansado Do pai que volta tarde e do filho abandonado Realidade brasileira, escrita em verso e trilho Num país que larga o próprio povo como um pai que abandona o filho Comecei no rap quando ouvi o som do Eminem Pensei: Se ele fez, eu também posso ir além Era só um fone velho e o caderno na escola Enquanto o mundo girava, eu rimava fora da rota Na infância o rap me salvou da ilusão Me mostrou que a caneta pode mudar uma geração Entre becos e vielas, o barulho da sirene Aprendi que se trabalha o dobro conforme a melanina que você tem na epiderme