Ela definhava em seu leito de luxúria e pragas Uma rainha egoísta, coberta de chagas Eu vi a morte beijar o seu pescoço pálido Enquanto o resto do mundo permanecia inválido Para mantê-la viva, eu me tornei o seu veneno Cortei o que era podre, num silêncio obsceno Hoje ela respira, mas não suporta o meu cheiro Esqueceu que fui eu Seu único herdeiro Meus irmãos de sangue sussurram no corredor Dizem que sou o carrasco, o autor do pavor Eles amam o jardim que eu limpei com o aço Mas odeiam o sangue que ainda mancha o meu passo Ela me olha com nojo, a mulher que eu resgatei Esconde as cicatrizes que eu mesmo curei É a hipocrisia de quem dorme em segurança Enquanto enterra no lixo a nossa antiga aliança O amante maldito, o senhor do seu rancor! Eu bebi a agonia para que ela pudesse brilhar E agora o meu prêmio é apenas o seu desprezar! Sou o vilão que vocês precisam, o ódio que os mantém No altar da ingratidão, eu não devo nada a ninguém! A paixão é um deserto E eu sou a tempestade A verdade é um fardo Que dói mais que a maldade Eu vi o que vocês eram antes do meu ferro Um bando de vermes, num eterno enterro Agora me culpam pela dor da salvação? Eu aceito o seu ódio Como minha oração! (Trebor!) Podem me chamar de monstro, de sombra, de fim O mundo está salvo, e isso basta para mim Não busco o carinho daquela que curei Pois na solidão do trono, eu já me encontrei O sacrifício é mudo, a glória é de papel Eu governo o inferno para lhes dar o seu céu Me odeiem Me temam Mas sobrevivam por mim