Não me dê um abraço Não me dê uma rosa Não me diga a verdade Se a mentira for mais piedosa Se acabou, se acabou O amor que tu me tinhas era pouco E se acabou Ouço dizer Carl Sagan Não estamos sozinhos Mas aonde está ele essa noite Pra me dar um carinho? Se acabou, se acabou O amor que tu me tinhas era pouco E se acabou Seu amor foi um pique O meu foi maratona Como obra de igreja, não se acaba Só se abandona Se acabou, se acabou O amor que tu me tinhas era pouco E se acabou Os mais alegres que me perdoem Mas tristeza é fundamental Uma tristeza que vem da certeza De se saber homem Feito apenas para amar E para trabalhar, e para estudar E viajar, e escrever Caçar, guerrear, matar, conquistar Votar, governar, falar bem alto E beber, e sujar e não limpar E fazer filhos e fugir E cortar árvores, furar minas Batizar terras que já têm nome E conduzir bem rápido E envelhecer sem culpa E adoecer, e ser cuidado E ser lembrado, e ganhar prêmios E estátuas, e nomes de ruas De praças, de avenidas De estações, de aeroportos De pontes, de estádios