Eu calei meus gritos por tanto tempo Escondi as marcas com um sorriso ensaiado Minha casa virou prisão sem grades E o amor virou medo disfarçado Você dizia que era culpa minha Que eu não era nada sem você Mas dentro do meu peito ainda pulsa Um coração que quer viver Hoje eu rasgo o silêncio Hoje eu preciso falar Não nasci pra ser alvo Da violência vestida de amor Eu quero viver! Não quero ser mais um nome no jornal Eu quero viver! Não serei mais uma estatística De quem escolheu me machucar Quantas noites eu dormi chorando Com medo do que vinha depois Primeiro vinham as palavras, e depois vinham os socos Por medo eu escondia as marcas e as palavras duras eu tentava esquecer Você dizia que era ciúmes, mas era pura covardia E entendi que controle não é cuidado E agressão nunca foi amor Hoje eu junto os pedaços Da mulher que ainda sou Minha voz já não se esconde Minha alma despertou Eu quero viver! Não quero ser manchete de jornal Não quero que minha história Vire só mais uma mídia Eu quero viver! Sem medo de respirar Não serei estatística De quem tentou me calar Se eu ficar, eu desapareço Se eu sair, eu sobrevivo Entre o medo e a coragem Hoje eu escolho estar viva Por todas que já se foram E não puderam gritar Eu levanto a minha voz Eu me recuso a calar Eu quero viver! E muitas outras também querem Que nenhuma mulher Precise morrer, por causa de covardes que se dizem homens Eu quero viver! Com dignidade e valor Não serei estatística De um covarde que nunca soube o que é amar Hoje eu decido sair Hoje eu escolho viver Se eu ficar eu desapareço E ele, vai atrás de mais uma Pra socar e depois vai se desculpar Falando que foi sem querer E assim, a história continua Eu quero viver Eu quero viver Toda mulher merece Viver!