Eu vivia à beira da estrada Carente, esquecido e só Mas no silêncio da minha alma Um clamor rasgou o pó Ninguém me chamava pelo nome Só diziam: Cego de Jericó Mas dentro do peito ecoava forte Sinto perto o Seu passo agora Ouvi sua voz de longe Um murmúrio de fé no ar Diziam: Jesus de Nazaré! E o meu peito quis incendiar Tentei falar, mandaram calar Mas quem tem dor sabe insistir Quanto mais queriam me calar Mais forte eu quis existir Há lágrimas que são sementes E quedas que fazem crescer Há gritos que o céu compreende Antes de eu compreender Quando a luz me chamou pelo nome Larguei minha capa e o temor Tropecei, mas segui Teu caminho Guiado só pelo amor Ele olhou pra mim e falou Que queres que Eu te faça, irmão? E eu disse: Senhor, quero ver Ver a vida e Teu perdão Então tudo ao redor brilhou As cores dançavam no chão E antes de ver o mundo outra vez Vi o céu no Teu olhar, então Não espere o tempo ser calmo Nem o dia certo pra mudar A fé não nasce do conforto Mas do pranto que faz levantar Deixa a capa que te prende As seguranças que atrasam O amor só cura e entende Os corações que abraçam Jesus ainda passa nas ruas Onde a dor insiste em morar Quem se ergue entre as ruínas Vê a luz ressurgir no olhar Quando a luz me chamou pelo nome O escuro se rendeu à voz Eu vi que a fé é quem enxerga O Cristo que passa por nós Eu era pó, e virei caminho Eu era dor, e virei canção Porque quando Jesus passa Até a dor vira libertação