Mas não dá certo, não tem como dá Você se esforça, dia e noite a labutar Mas quando o dim dim vai pegar Tem tanto desconto, é de chorar (Ih, chora não rocha, chora não meu irmão) Estava tudo certo, não tem como estar Porque surgiu um novo imposto Uma taxa complementar, um plus Um aumento, um adendo particular (É para o caviar) Eu tinha pensado, pegar o salário Levar minha nega, na gafieira dançar Mas veio tributo, um extra, ordinário Um pedágio, um ágio, tem que pagar É a fila do osso, é o nó no pescoço É o povo carente, do doutor ao servente Um compulsório, vai ter que aportar Com esse somatório a obra vai iniciar (Que tipo de obra?) Não sou descontente, quero me alegrar Mas ligo a tevê, o presidente vai discursar A mão no meu bolso, não há quem aguente Sem meu faz-me-rir eu vou é chorar Zé Arruela, compadi meu, juntou uma grana Para consertar o telhado, tomar uma canha Mas apareceu uma incumbência devida Que ele precisa pagar pro resto da vida É a fila do osso, é o nó no pescoço É no povo o balaço, é o magnata ricaço Todos tem que votar, porque é preciso Escolher o ladrão que vai nos roubar Mas não dá certo, não tem como dá Você se esforça, dia e noite a batalhar Mas quando o dim dim vai pegar Tem tanto desconto, no bar Eu vou pendurar (Anota aí morengueira)