Ao amanhecer o alento Vem do chiar da chaleira Começo meu testamento Com mate e lida campeira Grande herança Guarani Uma marca de liberdade Erva, taquara e porongo Mais amargo que a verdade Tradição do gaúcho antigo Em roda de prosa e comunhão Uma tribo em volta do fogo O sagrado ritual da tradição No pampa chegaram invasores Jesuítas contra o chimarrão O primeiro gole afastou temores Erva-do-diabo virou devoção Erva-mate ancestral Moldou nosso coração Num laço espiritual Nos fez amar esse chão Alastrou-se o mate e o seu ritual Ao largo de las três banderas O amargo é um chamado tribal Pra toda nação guerreira Nessa tradição pertinaz Domam-se os pensamentos Todo mal se esvai na paz Que deixa seu ensinamento O ritual nesse tempo atual Pelo pampa e pela cidade O doutor, o xucro e o bagual Têm no mate a igualdade Ao beber a erva missioneira Os pensamentos em carreira Fogo de chão, prosa de galpão Na água e na erva, por certidão Erva-mate ancestral Moldou nosso coração Num laço espiritual Nos fez amar esse chão