É besteira quem pensa Que o gaúcho de antanho Sem eira nem beira Só cuidava do rebanho Eram tempos diferentes Andava solito pelo rincão Se entreverava no capão Orelhano, bagual e valente Chamado de selvagem Sempre de passagem Índio taita domador Bombacha e tirador Sua vida era campeira Cruzava as três fronteiras Estropiado fugindo da lei Que a estância tinha mandado No entardecer, aporreado Para sobreviver, nas sesmarias O índio carneava o gado No pampa de tantas porfias Acusado de ladrão Chamado de gaúcho Ofensa do patrão A prisão era sentença E assim vagava guerreiro A la cria o vaqueano Alçava viver o caborteiro Gaudério e paisano A liberdade herdada Dos centaurus seus ancestrais Negada pelos senhores feudais Que o queriam nos currais Índio por fim colmilhudo No tranco viu o tempo varar Esta vida desgranida Enfim vai lhe domar Agora, gaúcho tem valor A liberdade, ninguém viu No campo e na cidade O tempo maléva baniu Cada um que abre cancha Brande a tradição do rio grande Leva consigo um pouco de glória Do sangue antigo no coração