Ainda menino, ao chegar na capital Descobri que a minha aldeia Vivia ausente do mundo real E nessa teia a vida mostrou-se brutal Todo dia se abria inclemente Sobre uma existência desigual Uma verdade incoerente Longe do conselho maternal O livro tem de ser trocado Pelo trabalho prolongado O salário sempre tem faltado Para um mês longo demais E no tempo que resta Se procura uma festa Baile, batizado ou seresta Pra se sentir abraçado No peito uma procura mora Encontro gente de outrora No leito de cada porta aberta Espalho minha alma deserta Lá no Alto da Bronze A liberdade é encontrada Uma amável Felizarda Guarida e abrigo me dá Tanto lugar de beber e falar A Esquina Maldita, o Cenário O Van Gogh sem portas O Ocidente e suas vidas tortas A tradição do Pulperia Do Pecados Mortais a ousadia Bar i Bar no final do dia E o Treviso não vai fechar A tristeza sempre a tocar Naquele Bar do Lupicínio No mano a mano a dançar No Fascinação, o fascínio O Marquinhos, do Espeto de Ouro Que a mesa por uma vida serviu Um tesouro que ninguém esqueceu Ninguém mesmo, muito menos eu E assim a nossa capital Que é minha cidade Natal Ficou na doce lembrança Herança do meu final