A janela da estância ilumina O retrato que alguém pintou Do pai, do pai do meu avô Morto na guerra Cisplatina Ao lado um farroupilha Que derrotou Tavares no Seival Seu corpo tombou na coxilha Soldado herói, valoroso e leal E de retrato em retrato Como se fosse um relato As guerras do Continente Sumiram com essa gente A batalha deixou na estampa Um nome, um sonho e lamento E o minuano solto no pampa Traz de volta o antigo tormento Do lado direito do pai Uma fileira de honradez Mortos na Guerra do Paraguai E na revolução de noventa e três A cada guerra, cada revolução Nascia uma nova pintura Descrita pela recordação Pela dor que ainda perdura E se entoava uma prece Se contavam atos de bravura Misturando ternura e amargura Em torno dessas molduras A batalha deixou na estampa Um nome, um sonho e lamento E o minuano solto no pampa Traz de volta o antigo tormento Nas noites de tempestade Como um tropel farroupilha O retrato da retidão Cai, vencido, no chão Revoltado, talvez, com o fato De que o Rio Grande cordato Como quem se acovardou Aceita todo desacato Nenhuma alma guardiã Estará na parede amanhã Pois todas vão ostentar Fotos coloridas de bazar A batalha deixou na estampa Um nome, um sonho e lamento E o minuano solto no pampa Traz de volta o antigo tormento