Quando me encontro Em um dia cinzento É como não respirar No escuro do quarto É como a dor do parto De quem não pode gerar Um sentimento Um triste lamento De morte e de dor Uma desilusão De um coração Que ainda crê no amor E no breu de mais uma noite Como de Góia um retrato A lembrança um açoite Bebo um vinho barato Vazio, sozinho e febril O horizonte é hostil E sem luz e sem afago Perdida em sombra e frio Dentro de mim eu trago A desilusão de uma vida Que quisera ser vivida Com um grande amor Então logo me despeço Sem nada cumprido Ao ventre eu regresso De onde não deveria ter saído Não deixo nada, nada levarei Não sei porque vim, não conte Que um dia eu voltarei