Foi como assistir aos astros Bailarem silenciosamente Com toda a intensidade do seu brilho E sutileza Foi como ver um trem Chegar vagarosamente Carregando uma mãe Separada de seu filho tão contente Que quase soa como desespero Uma chuva de um turbilhão de adagas Um amor digno de comoção Entregues a uma ilusão qualquer que afaga Mas não é qualquer graça do vento Que balança a minha canoa remendada Pois há muito que canto e remo Em ondas frias e descompassadas E em alto mar com minha carranca eu vi Conversando com antigos demônios, sim descobri Também são flores As que têm espinhos, as que causam dores Também são muletas Vícios que desaceleram ampulhetas E eu sei Que nada sei e nem possuo dessa vida Que escoa tão veloz Mas rogo às forças do universo Que entendam a falta que me faz tua voz Quando lhe peço, fica do meu lado Não solta da minha mão Pois as ruas que gritam meus fardos São só sorrisos sem emoção