Toda vida carrega espinho Ferida que o tempo fechou Na lembrança ficou só o traço Na pele a couraça que firmou Não é dor que desenha o caminho Nem sombra que manda ficar Do que foi se levanta defesa Do que resta se aprende a andar O tempo ensina com pedra O tempo protege com luz As quedas viraram muralha Ninguém segue sem sua cruz Tem promessa que some no vento Tem estrada que não volta atrás Cada perda levanta tijolo Cada ausência aponta sinais Já não pesa o que antes pesava Já não corta o que antes feriu A história que ardia na carne Virou força que nunca sumiu O tempo ensina com pedra O tempo protege com luz As quedas viraram muralha Ninguém segue sem sua cruz No deserto se aprende a secura Na cidade, o passo ligeiro Mas quem guarda a memória do povo Traz no peito um canto inteiro O passado não prende nem manda É raiz que se espalha ao redor São vozes antigas que chamam São braços soprando o pó O tempo ensina com pedra O tempo protege com luz As quedas viraram muralha Ninguém segue sem sua cruz Na encruzilhada o tempo se dobra Estrada batida, tambor ritual Cada escolha é pedra que guia Cada passo um gesto vital Entre reza, caminho e cantiga O presente se curva ao luar Quem escuta a voz da encruzilhada Aprende a cair e voltar O tempo ensina com pedra O tempo protege com luz As quedas viraram muralha Ninguém segue sem sua cruz O tempo ensina com pedra O tempo protege com luz As quedas viraram muralha Ninguém segue sem sua cruz