Sou feito de séculos sem despedida Um corpo que a Lua insiste em guardar A vida me nega partidas Mas nunca me deixa ficar Os rostos se perdem na bruma Amores se apagam no chão Eu fico, sem tempo nem rumo Carrego na pele a imensidão Sou eterno, mas me consumo Um poder que não sabe acolher Às vezes sou sombra invencível Às vezes tão frágil sem ninguém pra me ver O sangue me dá resistência Mas dentro ainda existe um vazio Procuro calor nos instantes Encontro o deserto do frio A noite me veste de força Me prende em seus véus de prisão Mas quando a aurora se ergue Arde o risco da minha paixão Sou eterno, mas me consumo Um poder que não sabe acolher Posso queimar nos braços de alguém Ou morrer congelado, sozinho, a viver O amanhecer traz sentença Um clarão que decide meu fim Se corro com alguém para o fogo Prefiro morrer do que arder sem sentir Entre séculos frios e vastos Me escondo do mundo que vai Ser forte é viver sem descanso Ser fraco é querer e não ter jamais Sou eterno, mas me consumo Um poder que não sabe acolher Às vezes sou chama que insiste Às vezes só cinza que teme viver Se a luz me encontrar nos teus braços Queime em nós a imortal solidão Prefiro morrer num instante Do que viver pra sempre sem coração