Enfrentei a noite sem estrelas O perigo sorriu pra mim Carreguei nos ombros o silêncio Mas não venci o que nasce aqui dentro Já derrubei muros de ferro Já caminhei sobre o fogo do chão O mundo me testou mil vezes Mas é meu peito que traz a prisão A água corre, não sei conter A maré me chama, me faz ceder Tenho medo de mim Da tempestade escondida Tenho medo da chuva Que desaba ferindo a ferida Não temo o escuro da rua Nem o vazio de outra voz Mas quando a memória deságua A enchente me deixa a sós Me afogo em palavras caladas Me perco em mares sem cais Sou barco quebrado na beira Sou medo que nunca se desfaz A água corre, não sei conter A maré me chama, me faz ceder Tenho medo de mim Da tempestade escondida Tenho medo da chuva Que desaba ferindo a ferida Se eu aprender a nadar Talvez o rio me leve em paz Mas enquanto a chuva não cessa Sou tormenta que sempre volta atrás A água corre, não sei conter A maré me chama, me faz ceder Tenho medo de mim Da tempestade escondida Tenho medo da chuva Que desaba ferindo a ferida