Saudade é beijo de chuva, nos lábios verdes do pasto É trança de laço velho, que às vezes anda de arrasto Corruíra sem ter rancho, estribo sem ter o pé Saudade é flor na corrente, fugindo do aguapé Saudade é lã esquilada que se separa da ovelha É mel novo adocicado, que se extraviou das abelhas Noite fumaça sem Lua, pressentindo um temporal Saudade é baba que escorre junto ao mascar de um bocal Saudade é grilo cantante, em madrugada ventosa É cabelo sem adornos, sentindo falta da rosa É cusco que não regressa depois varar a sanga Saudade é vida esvairada depois que uma faca sangra Saudade é ser o que era, é ruga em faces de velho É cruz de pedra sem nome, que mora num cemitério É homem de cerda moura que muita história conhece Saudade é morte nos olhos do sal que motiva a prece Saudade é uma pataquada, história de tarde inteira É potro que não se amansa sujeito ao dom da soiteira É vaca que berra triste ao se apartar de um terneiro Saudade é cheiro de terra num chuviscar veraneiro Saudade é dor de um barreiro, ao despencar o seu mundo É touro da guampa suja, num caponete do fundo É prenda que vive a espera, é peão que vive campeando Saudade é amor em distância que se apequena cantando