Fogo, fogueira Alumia e queima Viajei de navio negreiro Viajei de pau de arara Me tornei um motoboy Comedor de marmita gelada Todo menino é um rei Quanto ódio eu acumulei E acelerei na marginal Moro nas margens do capital Causei ânsia de vômito Na barriga da besta Para quando eu passar por seu pescoço Arrancar sua cabeça (Fogo, fogueira) Eles queimaram Joana D'arc (Fogo, fogueira) Viemo queimar os Borba Gato (Fogo, fogueira) Nunca nos esqueceremos de Galdino (Alumia e queima) Jamais Fogo, fogueira, fuligem na fuga Na fúria, na folia de reis O palhaço poeta firmado na dança A mirra na mira incenso de ouro Essa é nossa mina de loop Tô no baú do pirata de chapéu de paia Mas não sou o Luffy Um pedaço é tudo que eu preciso Para multiplicar esse espaço Dominado pelas capital Com MC's que só miram no capital Inicialmente Era para nós libertar nossa mente E não pra ampliar as corrente Correnteza do rio que me leva à lavra do fogo Que lava minha alma de lavrador Trabalho antes do Sol nascer Mas tô com a minha filha antes dele se pôr É gelo no isopor para conservar conversa Enquanto o fogo estica a pele do tambor A matraca é quem versa Com solo de grave que canta na voz do cantador Contador, cantador, canta mais, por favor Cada canto que entoua me diz quem eu sou Canta vô, conta vô Fogo, fogueira Fogo, fogueira Fogo, fogueira Alumia e queima Uma vida simples não é uma vida pobre Parede de taipa de pilão não é uma vila pobre Criança brincando na lama, não é uma criança pobre Povo comendo o que plantou não é um povo pobre E na cidade o peso do cobre Quanto vale o quilo do pobre? Gucci, Prada, Balenciaga, caga da descarga Suja o rio e bebe a água Isso sim é ser pobre (Farta fumaceira) Rico é meu amigo Que é amigo de um passarinho Que é rico por não se sentir dono do galho que pousa Então ele é rico por ser dono de todos os galhos do mundo E amigo do então rico Jaiminho Que fez da mandioca farinha Se casou com a dona Maria Que também é rica por morar numa vila cheia de crianças Que ela tirou da barriga de suas amigas (Farta fumaceira) Que são ricas por serem donas do próprio útero E assim seus filhos são nossos filhos No mundo onde ninguém os fabrica Pobre é o dono da fábrica Que agora está vazia