Yeah, Ranfo História de quem viveu Não de quem assistiu Eu fui de ônibus clandestino, o importante era chegar Teve fase na minha vida que eu tive que economizar Já pedi pão na padaria sem moeda pra pagar E quem um dia me disse não, vai me ver no topo brilhar! Não é sobre ouro, nem corrente, nem fama na TV É sobre tudo que eu vivi e mesmo assim não desisti de ser Quem eu sou, sem mudar, sem me vender Eu só quero cantar, e o mundo entender Já passei por lugar que nem sei te explicar Já dormi sem saber onde ia acordar Mas cada passo me trouxe até cá Se eu tô de pé, ninguém vai me parar Não quero luxo nem fama, não Só quero minha voz no ar Se a vida me testou foi pra provar Que eu nasci pra cantar Não foi sorte, foi caminhada Cada dor virou meu lar E quem duvidou da minha estrada Em algum lugar vai me escutar Já voei oito vezes no mês, nem sabia onde eu tava Hotel, rua, aeroporto, minha mente já nem lembrava Tempo passa, eu nem conto, só vivendo cada cena Minha vida é um filme bruto, sem roteiro, sem antena Quase perdi um barco saindo lá de Belém Mas quando eu pisei dentro dele, já não devia mais ninguém Eu mesmo fiz minha festa, minha mente virou o som De quem saiu do quase nada e hoje sabe onde é o bom Agora me diz, como alguém perde um barco assim? Pois é, acontece quando a vida testa até o fim Mas eu sigo firme, mesmo sem saber o que vem Porque quem vence na vida, não para por ninguém E não para por aí, no caminho teve mais O rio mostrou seus dentes, natureza é sagaz Uma piranha na perna, eu senti na pele a dor Mas sobrevivi de novo, isso só me fez maior São histórias que eu carrego, que ninguém vai apagar Se eu começo a contar tudo, vai até o Sol raiar Mas hoje eu tô cansado, amanhã eu conto mais Porque quem vive de verdade nunca vive em paz Não quero luxo nem fama, não Só quero minha voz no ar Se a vida me testou foi pra provar Que eu nasci pra cantar