Numa segunda-feira fresca de agosto Novidades repetidas soavam no rádio Asami despertou, com o assovio Angelical dos rouxinóis Lavou seu rosto na bacia Escovou os dentes Arrumou seus lençóis Calçou os sapatos de feltro Após colocar as meias de algodão Seus tornozelos doloridos Um repuxão, devido à queda do balanço Mas surgia um novo dia Ela enrolou seu lenço no pescoço Mostraria àquele parquinho Quem era a menina das acrobacias Desceu as escadarias, ligeira Na mesa comida típica Um desjejum de algumas delícias Mamãe abotoou a gola de linho Penteou seus cabelos, fez carícias Regou as plantas com carinho Colheu um ramo de cerejeira Organizou a estante, os bibelôs E as porcelanas na penteadeira Encostou as tramelas dos vitrôs A esta altura estava atrasada Asami ficou sem carona O ônibus passou na estrada Teria ela uma maratona Uma milha a pé caminhou Pelo bosque sacro andou Uma árvore de Ipê avistou Cruzando a praça e a venda Comeu algumas guloseimas Ao colégio chegou pra merenda Ás 15 pras 8 em Hiroshima Asami despertou, com o assovio Angelical dos rouxinóis Enquanto isso, no extremo Oposto do planeta Magnatas despertaram Obstinados a uma ordem Nunca viram seu rosto Não sentiram o gosto do café Esqueceram que existe pureza Tornaram-se escória, ralé Num abismo ruiu o humanismo Perpetuou-se o sacrilégio Entre o maligno e a bondade Um eterno conflito cego Asami alcançou a imortalidade Mártir por sua alvura e conchego Mamãe nunca mais arrumou sua gola Asami nunca mais, calçou seus sapatos E foi à escola Ás 15 pras 8 em Hiroshima Asami despertou, com o assovio Angelical dos rouxinóis Ás 15 pras 8 em Hiroshima Asami despertou