Surgimos de baixo da cama Por meio de lençóis e colchas Para além dos edredons Dos portais fabulantes De trás para frente De ponta cabeça, enfim Comece de novo Só comece novamente Remoendo a massada das rimas Bote o todo na betoneira dos poemas Você não quer que todo mundo entenda, não é? Imagine como seria tedioso Se todo mundo entendesse Mas não se aflija, pois não vão Para cá desta murada Não se vê tumulto, flagelos Nem filas ou reclamações As únicas interações são nossas E para conosco Quando as nuvens do incômodo se aglutinam Despenca o toró, a torrente do alvoroço E a alvorada nos enlaça saudosa Disseste que teu nome Era diminutivo de Lua Como recompensa te dedico Esta soma empanada de estrofes Indissociável como estrógeno e progesterona Luara, o motivo inicial desta composição Foi um tanto desvirtuado Mas considere o fato que registros efetuados Tem como prêmio a posteridade Ficando assim estampado Senão nas memórias pueris Ao menos em nossa comoção Deixemos todas as condições E os bem feitos, serem como são Abandonados nos trópicos Entre câncer e capricórnio Um humor sulfúrico para ti Vossa graciosidade se revela a sós Entre Aliens e Unicórnios Existem tantas teorias Que não existem, por aí Mas que existem, para nós Ao menos em nossa comoção Deixemos todas as condições E os bem feitos serem como são Serem Como são Em nossa comoção