A tua foto no telemóvel, já passou de um mês Mas a memória aqui é teimosa, esquece de vez O nosso verão no Algarve, areia e sol, a esplanada Fui ver o mar na Foz, mas a maré estava trocada Não te achei na Ribeira, nem nas ruas de Lisboa Perguntei à fadista, ela disse: É amor que não voa Mas olha quem me aparece, de mansinho, sem avisar Naquele café da esquina, com o cheiro a pão a acordar Os teus olhos de avelã, a mesma camisola do Porto E o meu corpo que se atrai, sem mapa e sem ter conforto És o meu porto seguro, a minha ilha deserta Eu sei que é para ficar, esta paixão é certa Andei à deriva, em cada porto no mundo Só tu me fazes voltar ao abrigo mais fundo Já não te via nos stories, nem nos posts de ninguém Pensei: Se calhar está em Milão, ou por aí, mais além Mudei a rota do GPS, pus o destino a mudar Tentei tirar-te do pin, mas o pin volta a fixar Deixei de ir ao Miradouro, para não sentir a falta Mas contigo ao pé de mim, a alma fica mais alta Mas olha quem me aparece, de mansinho, sem avisar Naquele café da esquina, com o cheiro a pão a acordar Os teus olhos de avelã, a mesma camisola do Porto E o meu corpo que se atrai, sem mapa e sem ter conforto És o meu porto seguro, a minha ilha deserta Eu sei que é para ficar, esta paixão é certa Andei à deriva, em cada porto no mundo Só tu me fazes voltar ao abrigo mais fundo Podia ser em Alfama, ou no Padrão dos Descobrimentos O sítio não importa, tu és a brisa, os sentimentos Tu és a Praça do Comércio, onde o meu mundo se encontra O meu coração contigo sempre acerta a conta És a minha saudade