Lembro-me do dia, do sol na varanda Promessas na boca, mas a alma cansada Tu eras o porto, eu era o mar agitado Dois barcos perdidos a fingir ter chegado A uma ilha segura, que só existia na foto O nosso futuro era um bilhete de regresso Passávamos os dias a colar os bocados Do que estava quebrado, já pelos passados Este castelo é de cinzas, a arder na mão Cada carta que cai, é um golpe no chão Não há maré que leve esta nossa ruína É o silêncio cruel a ditar a tua sina Guardei a toalha onde nos deitámos a rir A jurar que o tempo não nos ia dividir Mas o tempo é quem manda, não ouve lamentos E o nosso amor não aguentou os teus pensamentos Distraídos, longe, já a planear outra viagem E eu fiquei aqui, na mesma paisagem A pintar de novo as paredes, a fingir que não vi Que a tinta que usámos era a que se esvai de ti Este castelo é de cinzas, a arder na mão Cada carta que cai, é um golpe no chão Não há maré que leve esta nossa ruína É o silêncio cruel a ditar a tua sina Eu dei-te a Dama Tu deste-me o Valete Mas o jogo era de Reis E tu saíste do jogo Ficou a mesa vazia, o copo por acabar O som da tua ausência que não consigo calar E eu, no fim, percebi que não é teu o pecado Fui eu que deitei o meu coração num local emprestado Este castelo é de cinzas, a arder na mão Cada carta que cai, é um golpe no chão Não há maré que leve esta nossa ruína É o silêncio cruel a ditar a tua sina