Eu estava cercado de vozes Mas nenhuma dizia quem eu sou Todas vendiam sentido Mas só me deixavam mais só Me afoguei em mil possibilidades Em futuros que nunca vivi Até entender que é possível Se perder sem sair de si No fundo do meu próprio abismo Ouvi algo que não me feriu Não era juízo, nem cobrança Era um nome que me chamou de filho E a voz que me chamou do fundo Não pediu explicações Não exigiu versões melhores Nem máscaras ou condições E eu, sujo de mim mesmo Descobri na contramão Que a redenção não começa na mudança Mas no encontro com o perdão Eu pensei que precisaria subir Mas Tu desceste até mim Achei que era eu buscando Deus Mas era Deus buscando em mim Minhas ruínas viraram caminhos Minhas falhas, lugar de luz Porque o amor que me encontra Não ignora a cruz se faz cruz Eu não preciso mais fugir Nem sustentar ilusões Nem negociar meu valor Com medo das rejeições Se Teu amor me alcançou Onde eu não quis mais existir Então não há profundidade Que seja mais funda que Teu agir E agora, quando eu caio Eu não temo o chão Porque sei que no fundo Ainda habita a Tua mão E se eu sou pó, sou Teu pó Sustentado por Tua voz Nada em mim me salva Mas tudo em Ti me refaz