Apocalipse 21

Ministério Salva-me

Composición de: Lucas Antonio Dantas Ferreira Junior
Não haverá mar, o velho mar, que separa
Que engole sonhos em sua fúria fria, salgada
Que devora corpos e esconde naufrágios na alma
Já não existirá, seu rugir será silêncio
Sua imensidão, uma página em branco
Onde antes havia abismo, agora há a praça de ouro

E a cidade desce, não sobe o homem em sua torre
Mas Deus desce em sua tenda, em sua humilde glória
Vede o tabernáculo de Deus com os homens
Não mais um véu rasgado, não mais um altar distante
Mas o Verbo que habita, enfim, sem véu, sem templo
Pois Ele mesmo é a tenda, e nós, o seu descanso

E lhes enxugará dos olhos toda lágrima
Que mão é essa que enxuga sem ferir?
Que toca a ferida e a transforma em memória?
Não será o esquecimento, mas a cura plena
A lágrima que um dia foi de ausência e pó
Agora é orvalho na face do Eterno, e brilha

A morte já não existe, o último inimigo
O espinho cravado na carne do tempo
Foi desarmado não pela força bruta
Mas pela presença que preenche todo vácuo
Onde a morte habitava, agora habita o encontro
Onde havia o fim, a porta está sempre aberta

Nem luto, nem pranto, nem dor
As primeiras coisas passaram
Passou o grito abafado no cárcere
Passou a espera na sala de hospital
Passou a despedida na beira do cais
O que era rascunho, agora é poema completo
O que era semente, agora é árvore frondosa

As pedras preciosas não são meras pedras
São os olhos dos mártires que brilham nos muros
São as lágrimas dos profetas cristalizadas em graça
O ouro das ruas não é o ouro que cobiçamos
É a transparência de uma alma que aprendeu a amar
Pisada pelos pés santos dos que um dia foram pó

E não há Sol, porque o Cordeiro é a lâmpada
Não há luar, porque a sua face é a luz
A filosofia finda onde a visão começa
Não se pergunta mais onde está Deus?
Pois Ele é o ar que se respira, o chão que se pisa
A melodia que flui no silêncio das praças

Olhai Eis que faço novas todas as coisas
Não um novo começo que apaga o passado
Mas um novo céu que abraça a velha terra
Uma nova terra que floresce da antiga espera
E o que era promessa, agora é testemunho
Eis que faço novas todas as coisas

Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras
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