Um vivia em púrpura fina Entre taças e salão Outro à porta, esquecido Com feridas no chão Um banqueteava na vida Outro pedia compaixão Entre o luxo e a miséria Havia um muro no coração O silêncio também escolhe lados O amor ignorado constrói abismo O muro começa por dentro Quem fecha os olhos pro pobre Fecha a porta do reino eterno O que se vive aqui na terra Ecoa além do tempo Quando a vida vira memória Não há como atravessar O que não foi feito em vida Não há morte pra mudar A compaixão é ponte viva Entre o hoje e a eternidade