Ele era vento Antes de ser rocha Mar revolto Antes do porto Homem de redes e madrugada Sal no rosto, vida comum Silêncio no Mar da Galileia Trabalho duro, céu nenhum Até que à beira da água Um olhar rompeu o chão Segue-Me ecoou na areia E ele deixou barco e mão Simão era o nome antigo Pedro seria o que viria Não porque já fosse firme Mas porque Deus o esculpiria Entre as ondas e a rocha Entre o medo e a fé Enquanto olhou pra Jesus Ele ficou de pé Mas quando encarou o vento Começou a afundar Porque fé não é silêncio É saber onde olhar Prometeu morrer lutando Falou mais alto que o coração Mas na noite mais escura Negou três vezes o Senhor E o galo cantou na alma Como um riff cortando o ar O homem que andou nas águas Viu seu orgulho quebrar Entre as ondas e a rocha Entre queda e perdão Não é espada que sustenta É dependência e rendição Tu me amas? Três vezes perguntou Não pra ferir a ferida Mas pra curar o que negou Cada resposta reconstruía O que o medo destruiu A rocha nasceu nas lágrimas Quando o coração se abriu Entre as ondas e a rocha Entre promessa e dor Não vence quem grita alto Mas quem permanece no amor Simão foi chamado Pedro foi formado Não pela força do impulso Mas pelo perdão que o moldou Ele era vento Mas virou rocha Não nasceu pronto Foi quebrado, e restaurado