Eu, viola e sertão O Sol desponta lá na serra Dourando a terra, aquecendo o chão Cheiro de mato e de lenha Café quente no fogão A brisa leva lembrança De um tempo que não volta mais É no braço da viola que sou feliz E vivo em paz O rio corre mansinho Nas pedras vai ressoando Passarinho faz seu ninho Cedinho já tá cantando Debaixo do carandá eu sento pra uma canção É na paz desse recanto, que se acalma o coração No ponteio da viola o sertão inteiro se encanta Passarinhos revoando e o galo lá no poleiro canta Se a cidade me chama eu caio no estradão Sou raiz desse cerrado, sou viola e sou sertão A viola é a minha estrada Sem asfalto e sem motor Cada traste é uma saudade Cada acorde tem valor Na sombra da jabuticabeira Canto junto ao sabiá No balanço da esperança Eu sento pra recordar Quando a Lua vai chegando Clareando o meu quintal Coração vira criança Dá vontade de brincar Nas cordas da memória não dá pra esquecer não Sou viola e sou sertão, nasci pra ser campeão No ponteio da viola o sertão inteiro se encanta Passarinhos revoando e o galo lá no poleiro canta Se a cidade me chama eu caio no estradão Sou raiz desse cerrado, sou viola e sou sertão Sou raiz desse cerrado, sou viola e sou sertão