Passei um tempo na casa dum amigo amado Hoje fui convocado a voltar onde nasci Peguei as rédeas, dei rumo ao pensamento E me fui num trote lento em busca do que aprendi Mas que ironia o lugar onde cheguei Parece que eu não passei a minha infância ali Agora eu peço ao tempo, com paciência Que não apague da consciência a magia que eu vivi A porteira rangeu num lamento antigo Como quem já não reconhece um amigo Olhei pro galpão, pro rincão, pro moinho E me senti estrangeiro no próprio ninho A porteira aberta entendendo meu lamento E no relento a carreta do meu pai Que carregou peso, suor e dignidade Me ensinou que a verdade Não se vende e não se trai Baixei a tramela e voltei pro meu canto Banhado em pranto, eu entendi que a vida é assim Na labuta e no traquejo da cidade Levo a simplicidade Que não tem preço e não tem fim