Minha voz já está rouca de tanto gritar Que a isca mais doce é a que vai te afundar Perseguem miragens na estrada vazia Rendidos ao eco da hipocrisia Com lágrimas frias decora o sermão Mas vende a alma no mesmo balcão Julga o caído, repete a canção Com trave nos olhos, lança condenação E a serpente aplaude de pé Vendo você perder sua fé O abismo te chama, ou a estrela te guia? Qual eco, qual eco (qual eco?) sua alma confia? O abismo te chama, ou a estrela te guia? Qual eco, qual eco (qual eco?) sua alma confia? Yeah, a fita rebobina, a cena se repete No jardim, um sussurro que a alma compromete Um fruto, uma mordida, um paraíso em ruína Começa a contagem de corpo e chacina O sangue de Abel, o dilúvio, a torre A cada império que nasce, a humanidade morre Faraó, Babilônia, a águia de Roma A mesma mentira com um novo idioma Até que o deserto, quarenta e um dia A serpente investe em sua mais nova anarquia Tentou o pão, o poder, o orgulho, a vaidade Mas o verbo olhou no olho do pai da maldade A proposta era o mundo, o trono, a realeza Mas a luz não se curva pra sombra e fraqueza O plano falhou, o predador virou presa E a guerra do Éden teve a sua certeza Mas o murmúrio move, mergulha no manto do altar Com constantino, a cruz virou cetro pra conquistar Vieram cruzadas, queimaram gente em nome de Cristo Catequizaram na marra, quem negava ia pro risco Inquisição, tortura, herege na fogueira Salem viu inocente virar pó na lareira Terreno no céu vendido, indulgência à luz de vela Do ouro da fé nasceu mais uma capela Das trincheiras da França ao gás do holocausto De Hitler, Hiroshima, Nagasaki, caos no espaço Duas guerras mundiais, poeira, lama, bomba e fome Mudam armas, mas a morte nunca muda de nome Revolução francesa, sangue na guilhotina Revolução russa, czar caiu, Stalin domina Vietnã arde em napalm, criança corre em chamas No oriente médio caem cidades por petróleo e grana Veio a indústria, fumaça, máquina, exploração Escravo do relógio, lucro pra corporação Crise de 29 fez o mundo se ajoelhar De wall street ao sertão, todos vieram a chorar Guerra fria dividiu planeta em dois pedaços A paz no gatilho, dedo pronto pra o fracasso Apartheid na África, racismo institucional Da Europa à América, o preconceito é global Collor caiu, Mensalão mostrou que o esquema é velho Lava jato, rachadinha, só mudou o espelho Orçamento secreto, gabinete paralelo A cada ano que passa o país cai mais no inferno Pandemia planta pânico, povo preso, paralisado Político prega polariza, país partido, programado Povo paga, palco pega fogo, post propaga guerra Enquanto parasitas pilham tudo que a pátria encerra Roubam renda, raspam cofre, rapinam na surdina Riem, reinventam regra, roubam fé, rasgam sina Quando o pobre percebe, o preço pesa de novo Plano, proposta, percentual, mais um imposto no bolso Um salvador forjado em discurso mortal Mas não nos engana essa condecoração Nós já temos um capitão, ele é o rei da glória o Poderoso leão A guerra (é o eco!) A morte (é o eco!) Sua queda (é o eco!) É só o maldito eco Do Éden! Do Éden! (Do Éden!) O abismo te chama, ou a estrela te guia? Qual eco, qual eco (qual eco?) sua alma confia? O abismo te chama, ou a estrela te guia? Qual eco, qual eco (qual eco?) sua alma confia? Sou a voz que ainda clama neste deserto de pixels e tronos Raça de víboras! Não se enganem! O machado já está na raiz das árvores Abram os olhos e vejam o fruto que vocês dão Antes que o fogo consuma tudo