O espelho reflete o que o tempo moldou As rugas formam um mapa de dores e de amor Os passos lentos carregam mais chão E a mente gravou histórias construídas com as mãos Hoje são essas histórias que tenho pra contar Sonhos guardados, uns realizados outros por realizar A prata que tinge hoje meus cabelos Também revela experiências, caminhos e zelos A velhice é o tempo em seu mais puro tom Um jardim de lembranças, de dores e flores que não se vão Na dança do tempo, numa eterna lição Marcando o corpo, pra dar leveza ao coração Se o corpo definha, a alma se expande Num riso cansado e ao mesmo tempo gigante Pela gratidão de conquistar tão rica bagagem Nesse tempo tão curto que até parece miragem Em olhos que carregam as cores do mundo E uma voz que é poesia de um rio profundo É mais do que somar dias e dizer adeus É abraçar o presente e aceitar quem sou eu Se o tempo é tão curto, para quê hesitar? Há infinito em cada olhar A velhice é o tempo em seu mais puro tom Um jardim de lembranças, de dores e flores que não se vão Na dança do tempo, numa eterna lição Marcando o corpo, pra dar leveza ao coração E se amanhã os passos falharem Se a memória for chuva a escorrer Que exista amor no que ainda restar Que o hoje seja tudo que eu possa viver Pois o tempo é só um sopro nos céus E na ternura, reencontro os meus véus Há beleza no fim e começo ao mesmo tempo A vida é só uma pausa no vento A velhice é o tempo em seu mais puro tom Um jardim de lembranças, de dores e flores que não se vão Na dança do tempo, numa eterna lição Marcando o corpo, pra dar leveza ao coração