Nós cortamos os cordões umbilicais E a decadência entorpece as memórias Temos esperado tempo demais Pelas promessas que não são as nossas Não vou viver perseguindo porquês Como elegias num livro não lido Pois morrer em liberdade é manter Os arrependimentos conhecidos Quero que a calma de um luto contido Dissipe a luz em meu cerne isolado Quebrei-me no espelho de meu martírio E não me permito amar aos pedaços Uma coroa de flores sem viço Sobre uma mente que tão pouco alcança Que o acaso confunda meu juízo E a nossa saudade se torne santa O peso do egoísmo preme meus ombros E modela a venda que me mantém cego Faz-me adentrar o estuário que assombro Onde a única estrutura exposta é o ego Meus apegos se revelam a minha morte Com asserções atadas à crise em que sigo No infortúnio do dano, um traço de sorte Suas quatro câmaras moldam um abrigo Prazeres ofuscam o brilho da lembrança Ancoram-se e tornam o sentimento efêmero Imagem suicida, que ao fogo se lança Corrompe-se ao toque de novos momentos Tragédia corre dentro de minhas veias Saliva que um Deus moribundo dispensa Misérias convêm partilhadas em teia O amor é o arroubo de toda existência