Eu era moço e tinha minha boiada Onde eu morava, no sul de Minas Gerais Com cinco juntas de bois bem aparelhados Meu carro novo, que eu fiz com o meu pai Quando eu passava em frente aquela fazenda De longe eu via uma morena na janela Eu apertava o chumaço e os cocão Porque eu sabia que o canto era pra ela Canta, meu carro, canta Canta doído na subida do estradão Canta, meu carro, canta Diga pra ela que é meu seu coração Quando meu carro estava bem carregado De mantimentos do transporte que eu fazia Ele cantava num dueto bem doído Tinha certeza de que longe ela ouvia Minha boiada caminhava em passos lentos Esse trajeto, por muitos anos, eu fiz Seu coração ainda não era meu Só de ver ela, eu já sentia feliz Canta, meu carro, canta Minha boiada foi morrendo de velhice Eu fiquei velho, abandonei a profissão Mas me orgulho do carreiro que eu fui Ainda guardo meu carro lá no galpão Minha esposa, uma grande companheira Tudo que eu fiz era só pensando nela Vive comigo há mais de cinquenta anos Sou o amor da morena da janela Canta, meu carro, canta