Dessa gente que hoje anda Nas esquinas e quintais Vejo um novo velho mundo Carreatas, catedrais Que falta faz a lucidez Onde tudo é por um fio Vivemos tanto de uma vez Nessa fortaleza hostil Estica a corda quero ver Se vai arrebentar Esquece o rádio e a TV E deixa Então deixa eu te dizer Que o teu erro é meu também Toda tirania é surda Só escuta o que convém Não é fácil admitir Que o soneto foi em vão Anoitecerá orgulho Amanhecerá prisão Nesse monumento trágico Onde o amor é liquidez Com obediência fálica Nos empurram suas leis Que falta faz a sensatez Onde tudo é tão vazio Morremos tanto de uma vez Nesse peito varonil Estica a corda quero ver Se vai arrebentar Esquece o rádio e a TV E deixa Então deixa eu te dizer Que o teu erro é meu também Toda tirania é surda Só escuta o que convém Não é fácil admitir Que o soneto foi em vão Anoitecerá orgulho Amanhecerá prisão Juro que eu não sei Se a verdade servirá O segredo do viver Qual mistério vencerá Estica a corda quero ver Se vai arrebentar Esquece o rádio e a TV E deixa Então deixa eu te dizer Que o teu erro é meu também Toda tirania é surda Só escuta o que convém Não é fácil admitir Que o soneto foi em vão Anoitecerá orgulho Amanhecerá Amanhecerá