Hoje é o dia E eu quase posso tocar o silêncio A casa vazia Só as coisas que você não quis Me fazem companhia Eu fico à vontade com a sua ausência Eu já me acostumei a esquecer Tudo que vai Deixa o gosto, deixa as fotos Quanto tempo faz Deixa os dedos, deixa a memória Eu nem me lembro Salas e quartos Somem sem deixar vestígio Seu rosto em pedaços Misturado com o que não sobrou Do que eu sentia Eu lembro dos filmes que eu nunca vi Passando sem parar em algum lugar Tudo que vai Deixa o gosto, deixa as fotos Quanto tempo faz Deixa os dedos, deixa a memória Eu nem me lembro mais Fica o gosto, ficam as fotos Quanto tempo faz Ficam os dedos, fica a memória Eu nem me lembro mais Quanto tempo Eu já nem sei mais o que é meu Nem quando, nem onde Tudo que vai Deixa o gosto, deixa as fotos Quanto tempo faz Deixa os dedos, deixa a memória Eu nem me lembro mais Todos os dias quando acordo Não tenho mais o tempo que passou Mas tenho muito tempo Temos todo tempo do mundo Todos os dias, antes de dormir Lembro e esqueço como foi o dia Sempre em frente Não temos tempo a perder Nosso suor sagrado É bem mais belo que esse sangue amargo E tão sério E selvagem Selvagem Selvagem Veja o Sol dessa manhã tão cinza A tempestade que chega é da cor dos teus olhos Castanhos Então me abraça forte Me diz mais uma vez que já estamos Distantes de tudo Temos nosso próprio tempo Temos nosso próprio tempo Temos nosso próprio tempo Não tenho medo do escuro Mas deixe as luzes acesas Agora O que foi escondido é o que se escondeu E o que foi prometido ninguém prometeu Nem foi tempo perdido Somos tão jovens Tão jovens Tão jovens