Eu lembro das noites sem dormir Do peso leve nos meus braços Do mundo grande demais lá fora E eu fazendo de tudo pra te proteger Troquei meus sonhos por sorrisos Engoli o medo, calei a dor Te ensinei a andar sozinho Mas nunca te ensinei a ir embora assim Hoje eu penso mais do que falo Por não saber o que dizer Não é raiva, não é briga É um frio que não sei de onde vem E dói Quando o amor volta em silêncio Quando a voz vira distância Quando o abraço vira ausência E dói Ser lembrança e não presente Ser passado na sua frente Eu sou pai, ainda sou Mesmo quando você não vê assim Eu nunca te pedi retorno Nunca cobrei reconhecimento Só queria continuar sendo Um lugar seguro no seu tempo Estive ao seu lado mesmo quando você nem percebia Te ergui quando você caiu E hoje eu paro na sua porta Sem saber se ainda sou bem-vindo Não entendo esse olhar fechado Essa fala medida, distante Eu não mudei quem eu sou Só envelheci te amando adiante E dói Quando o carinho vira cálculo Quando o afeto perde espaço E o amor precisa de preço Se eu falhei, foi tentando acertar Se eu errei, foi por te colocar primeiro Pai não aprende em livros Pai aprende apanhando do tempo Eu olho pra você, Tom, em silêncio E vejo o quanto mudou Na aparência te vejo tão forte Mas fraco no sentimento E dói Quando o filho fica distante E o pai sem saber porque Mas a noite ora por ele Para Deus o proteger Se um dia o mundo pesar demais E o orgulho cansar primeiro Vai ter um velho coração aberto Esperando você Em silêncio