Aí você que é pobre só tá ferrado Fala verdade se tá ligado Você tá desempregado ou fudido endividado Pois essa é a vida de um pobre trabalhador Que trabalha a vida toda chamando o patrão de doutor Sim, senhor, sacrifício da vida A correria se matar igual escravo todo dia Tudo pela mixaria pra poder pagar as dividas Do carnê de prestação, das Casas Bahia Isso é verdade irmão, não estou mentindo não O pobre só consegue as coisas só se for na prestação Isso quem tem oportunidade de um trampo Quem não tem se desespera e pá, pá: mete os cano Aí cai pra essa vida, depois não encontra a saída Tudo porque caça um emprego e não tinha quando foi feito Tava assaltando a padaria e sem perceber a casa caiu Tudo porque não tinha emprego na porra do Brasil Me diz por que nossa vida não é parecida com a novela Por que na TV não mostra o sofrimento da favela Eu já cansei de ver tanta injustiça no Brasil Enquanto os rico ganha dinheiro aqui o pobre soa frio A molecada sem incentivo, que futuro que eles vão ter? O governo não faz escola, mais um ano sem saber ler Mas a vida você precisa aprender a sobreviver nesse mundão Procurando a coisa certa pra não cair na perdição Só que a vida prega uma peça, mas sempre fique de olho aberto Cuidado por onde pisa, nunca se sabe o que vem por perto Um mano muito louco, ou um gambeta dando enquadro Até mesmo o seu vizinho se vingando do passado Mas é foda aqui a gente sobreviver Andando de madrugada, o que pode acontecer? Um mano com um fuzil, um tiro na testa e ninguém viu No outro dia eu iria direto mostrar a desgraça do Brasil Falo, falo, falo, digo mando meu recado A sigla é PD, poetas discriminados A voz dos humilhados, daqueles que ficam calados E aí PD? (O quê?) Fala por você! Falo, falo, falo, digo mando meu recado A sigla é PD, poetas discriminados O emprego sumiu, as promessas do mundo viu E nada se cumpriu, esse é o nosso Brasil! Eu não falo de alegria, pois aqui na periferia só fode Só se lasca quem não tem Pois quem tem muito dinheiro sempre vive muito bem Pois essa é a vida, muito diferente da burguesia Que não sabe como é a rotina do dia a dia Trabalhar o mês inteiro pra ganhar uma mixaria Fazer o quê? É a vida né? Quem pode, pode; quem não pode só se fode O que somos nós? O que somos pobres? Então fica no ar a questão: quem será que tem a solução? A verdade é que falta oportunidade para nós na sociedade Que não aguenta mais viver de piedade Enquanto isso a burguesia esbanja dinheiro a vontade E é foda, isso tudo gera revolta Pra periferia ninguém olha e assim a gente sempre fica na bosta Não, não, não, me dá uma explicação Não, não, não, tem que ter mais dedicação Porque se todo pobre tiver salário justo de vida Garanto que a criminalidade jamais existiria Pois o crime se alimenta da fome e desemprego E o crime e a desgraça deixa o capeta satisfeito É um inferno onde estamos, mano, se liga então Por um salário mínimo o mano é escravo do patrão Cuzão que por mês ganha um milhão Sossegado na mansão, várias viagens pra Miami ou o Japão Enquanto aqui o pobre viaja das quatro da manhã no primeiro busão Esmagado no trenzão, mas pra você tá bom? O importante é estar às sete da manhã esfregando o seu chão Da sua empresa ou da mansão Suando o mês inteiro pra poder ganhar o pão de cada dia Vi vários manos vindo do Nordeste pra tentar a vida aqui Na terra da oportunidade: São Paulo Mas estavam enganados, aqui mais parece, mano, a terra do diabo E é assim sangue bom, só ilusão Quem não tem endereço fixo cata papelão ou latinha Enquanto a madame se diverte na piscina Aqui na periferia falta escola, falta vaga Os boy e as patricinha tão indo pra aula escoltada Só que aqui é Carapicuíba, não é Alphaville Aqueles putos são filhos de magnata Estão com a vida programada, a faculdade já está paga Enquanto o que sobra pra nós? Se matar por uma vaga ou catagem sub-bancária Ser furado por várias balas e morrer na fila do PS Sonhando com uma vaga