Cancelei meus planos pra ver se alguém notava Deixei a porta aberta, mas ninguém entrava Sou só um ponto preto numa tela colorida A peça que sobrou no quebra-cabeça da vida Posto um sorriso pra disfarçar o deserto Perto de todo mundo, de mim mesmo tão longe, né certo? O wi-fi tá cheio, mas a alma tá offline Esperando um sinal que o mundo me ensine A não ser só um visto que ninguém respondeu A provar pra mim mesmo que quem morreu não fui eu Eu sou o erro no sistema, o borrão na foto Acelerando o peito, mas vivendo no piloto Gritando no vácuo, perdendo o juízo Um corpo presente que ninguém deu aviso Se eu sumisse agora, quem sentiria a falta? Ou eu sou só o silêncio com a música alta? Me chamam de estranho, eu chamo de cansado De carregar o peso de um futuro atrasado Eles amam a arte, mas odeiam o artista Querem o meu brilho, mas não a minha vista Tô cansado de ser sombra em dia de Sol Um peixe pequeno fugindo do anzol Digita, apaga, posta, deleta Minha existência virou uma meta, incompleta Eu não quero ser eco, eu quero ser voz Mas o mundo é um nó que sufoca a nós Eu sou o erro no sistema, o borrão na foto Acelerando o peito, mas vivendo no piloto Gritando no vácuo, perdendo o juízo Um corpo presente que ninguém deu aviso Talvez eu seja só, um rastro na areia Que a maré leva E ninguém nem odeia