As luzes da cidade estão mudando E eu sinto o tempo me roubar o chão O que acontece quando o show termina E a poeira senta no meu coração? Eu vejo as marcas que o tempo desenha Caminhos que eu não escolhi seguir A minha pele conta histórias velhas De sonhos que eu tive que abrir mão pra existir Se a moldura desse quadro se quebrar E a cor vibrante começar a desbotar Se a minha voz falhar na hora do sim E o cansaço enfim chegar pra mim Eu me pergunto se o que você ama É a fachada ou o que mora aqui dentro Se a tempestade apagar minha chama Você me daria o seu alento? Quando o espelho não for mais gentil E a juventude for um sopro que partiu Eu te pergunto no silêncio do quarto Diz pra mim, sem pressa de responder Se o brilho sumir, o que vai sobrar pra ver? Se eu me perder no que o tempo construiu Você ainda olharia pra mim? Você ainda olharia pra mim? O mundo adora o que é novo e brilha Mas eu sou feita de carne, osso e falhas Será que o seu amor sobrevive à trilha Ou se perde entre as nossas batalhas? Se o meu sorriso não for mais vitrine E a tristeza vier me visitar Você teria um lugar que me ensine Que ainda existe um motivo pra ficar? Não me olhe com os olhos, me olhe com a alma Porque o corpo é fumaça, mas o que sinto acalma Se eu não for mais o Sol da sua manhã Diz que ainda seria o meu maior fã Diz pra mim, sem pressa de responder Se o brilho sumir, o que vai sobrar pra ver? Se eu me perder no que o tempo construiu Você ainda olharia pra mim? No fim de tudo, quando o resto passar Só vai sobrar o que a gente soube cultivar Você ainda estaria aqui? Ainda olharia pra mim? Olharia Com o mesmo brilho Com o mesmo carinho? Mesmo se eu mudar? Mesmo se eu cansar? Você ainda olharia pra mim?