Quando a Lua sobe mansa Clareando o velho chão Pego a viola silente Pra cantar meu coração Cheiro de café na casa No terreiro a luz cai E a cigarra lá na mata Faz companhia pro meu ai Quando a Lua clareia o terreiro Crio coragem pra ser violeiro Canto baixinho chamando a flor Que guarda em si meu simples amor No peito bate um trem ligeiro Sonho da moça no meu candeeiro Vento varre a noite inteira Bate leve no portão Penso nela me escutando Com o rosto no escurão Cada nota que eu derramo Vai dizendo sem temer Que esse violeiro todo Só nasceu pra bem querer Quando a Lua clareia o terreiro Crio coragem pra ser violeiro Canto baixinho chamando a flor Que guarda em si meu simples amor No peito bate um trem ligeiro Sonho da moça no meu candeeiro Se ela abrir sua janela Vejo a luz no véu do céu Canto firme só por ela Meu destino é ser fiel Quando a Lua some lenta E o terreiro perde o chão Minha viola ainda guarda O segredo dessa paixão