Yeah Às vezes eu falo comigo E nem sempre eu gosto das respostas (Silêncio) Mas eu sigo Tenho medo de mim quando o espelho me encara Vejo um moleque perdido na cara de um cara Meu coração fuma mais que eu, tá em brasa A saudade queima lento, tipo vela que apaga Guardei meus erros num cofre sem chave Prometi pra mim que mudava, e falhei outra tarde As vozes na mente gritam mais que o alarme O amor virou dívida, e a culpa virou carne Meu filho cresce e eu ainda aprendo a ser pai Queria ser exemplo, mas o exemplo se vai As noites me cobram juros de quem ficou pra trás A rua ensinou preço, mas nunca ensinou paz Entre cinzas e espelhos, eu procuro redenção Meu reflexo é o inferno, mas carrego o coração Se o tempo cura tudo, por que ainda sangra a mão? Cada verso é um pedido de perdão na escuridão Já tive tudo, e mesmo assim faltou sentido Minhas vitórias vêm com gosto de suicídio O palco aplaude, mas o peito tá vazio Eu rio de nervoso, porque chorar é um vício As drogas que curei voltaram com outro nome Agora é ansiedade disfarçada de fome Falo com Deus, mas parece que ele some Ou talvez eu que sumi, me perdi no meu nome Tem hora que eu queria apagar meu passado Mas é ele que me faz rimar mais pesado Sou feito de falhas, de versos e pecados Sou o vilão, o herói, o anjo enforcado Entre cinzas e espelhos, eu procuro redenção Meu reflexo é o inferno, mas carrego o coração Se o tempo cura tudo, por que ainda sangra a mão? Cada verso é um pedido de perdão na escuridão E se amanhã eu não voltar, guarda essa faixa É meu jeito torto de pedir que a dor se abaixe Purgatório é lembrar do que não se apaga Mas ainda rimo, porque cada rima me salva