Ela vem do chão vermelho Do cheiro do café recém-torrado Das montanhas que respiram silêncio E guardam segredos antigos É filha do interior de Minas Onde os sonhos pareciam pequenos Mas dentro dela Cresciam como sementes teimosas Seu pai, caboclo centenário Rezador, benzedor Tronco que atravessou o tempo De suas mãos calejadas sentiu a Herança de um mundo que o feriu antes de lhe abraçar Foi ele quem, com suor e reza, dureza Custou a criar doze filhos Ensinando que a vida se firma Na raiz da persistência E sua mainha Sua mãe é mulher de grande percorrer em dentro dela De dias pesados, de lutas silenciosas Mas hoje, quando olha para o seu sorriso Encontra a maior força da sua vida Ela é a prova de que se pode sobreviver Às tempestades sem perder a ternura É sua raiz mais doce Seu exemplo de coragem Seu espelho de esperança Quando ela sorri A vida lhe sorri também E seus irmãos diziam Seja forte, menina, o mundo é grande Suas irmãs lembravam A firmeza mora em quem acredita São mais de dez anos de caminhada Cantando em palcos que lhe contam histórias Juntando sua voz a sonhos iguais aos seus É grata por cada passo Porque cada canto compartilhado É raiz que se aprofunda na terra Mas hoje, é tempo de erguer a sua própria árvore De cantar o seu próprio sonho De fortalecer a sua raiz Que nasceu do chão vermelho E agora floresce no mundo inteiro Hoje é uma árvore inteira Raiz profunda Galho que toca o céu Carrego Minas dentro de mim Assim como cada voz que me acredita Cada reza que me guarda e me atravessa Cada gesto de mainha que lhe chamava de volta à vida Sou gratidão que floresce Sou vida que insiste Sou canção que nunca para Ela é raiz do mundo