Às vezes penso que estou vivendo um pesadelo Convivendo com a morte me vejo o tempo inteiro Um fogo cruzado que parece não ter fim Inevitavelmente quase sempre é assim Fazer o quê? É muito fácil saber Que pela madrugada muitos vão morrer Culpados, traficante, inocentes também Não se pode fazer nada quando a morte vem Com seu rastro sanguinário e um oitão na mão Acontece todo dia, já virou rotina O homem já não usa o seu lado racional Se comporta como um bicho, instinto animal A sede de vingança aqui é o que manda A lei do mais forte pra ver quem comanda O fornecimento de farinha no lugar Pra matar a playboyzada, que desce pra cheirar Tem muita gente atolando o nariz Nesse pó maldito, que vida infeliz! As condições são lamentáveis, sub-urbanas Vejo meus irmãos morrerem de forma desumana Sentenciados por umas gramas de pó Assassinados sem pena e sem dó Tem muita vida interrompida na adolescência Vários sonhos destruídos pela violência Nem só a vida urbana aqui mata o homem No país da fartura o povo morre de fome Neste lugar não se vive, tenta sobreviver E muita gente por aqui não tem o que fazer A maioria anda vagando sem itinerário Certamente a procura de um bom trabalho Muitas vezes arrumandoum jeito de roubar Desempregado a uma data não consegue esperar Olha só o que o sistema quer fazer Primeiro eles te criam, depois, matam você Não quero ser mais um irmão assassinado Ou, talvez, mais um João presidiário Apodrecendo nas celas desses país varonil Periferia X Brasil Realidade é muito triste O sistema faz o povo lutar contra o povo Mães chorando, irmãos se matando Fica perdida a pergunta: De quem é a culpa? Periferia e o retrato do país Os negativos revelam um povo infeliz Os assassinos sociais vão te matando aos poucos Engravatados, mercenários, assaltantes do povo O país da divisão em classes sociais O paraíso das grandes multinacionais Tem sempre uma favela ao lado de um bairro nobre Fazendo contraste entre o rico e o pobre Vários banquetes, divertimento Favela, fome, miséria e sofrimento Não posso me conformar com a fome do povo E engolir uma madame dando festa pra cachorro Parece pouco e o que me diz dum governo Subordinado ao FMI e ao banco estrangeiro Manipulado corrompido Brasil colônia dos Estados Unidos Todo dia é dia de exploração A caminho mais uma privatização FHC busca imagem internacional Gasta milhões na industria do Carnaval Pra quê gastar tanto dinheiro com mulheres nuas? Prostituição segunda a segunda Por que não investir em obras sociais Recuperando drogados, também marginais Na rede hospitalar ou na educação Mas ninguém se incomoda com a situação Congresso virou palco, Senado virou circo Tem um monte de palhaço no cenário político Me diz se tem alguma graça Em ver tanta miséria aqui, tanta desgraça aí Realidade brasileira estampada aqui Valores invertidos, como sobressair? Se a gente desanimar, é muito fácil prever Que vai acontecer comigo e com você Se para classe baixa já não resta outra opção A não ser se submeter à escravidão Prefiro não me entregar, prefiro não desistir Perseverar com muita fé até o fim Pedindo a Deus as forcas pra lutar Diante da situação não quero me acomodar Eu não sou mais um que não sabe e que não viu Realidade do Brasil Meus inimigos estão no poder Meu Deus, eu não sei mais o que é pior Tanto dinheiro jogado fora Governantes, tomem vergonha na cara Abrindo o horizonte das minhas ideias Relatando, retratando o quanto à coisa e séria RB mandando ideia de maneira sutil Abalando as estruturas do Brasil Da nobreza com sua majestade e riqueza Da pobreza com sua miséria e tristeza Os dois lados da moeda de uma situação É difícil chegar a uma conclusão Ao longo da história sempre foi assim Desigualdade, violência, escravidão sem fim Essa bagagem a gente traz do tempo colonial Da época da relação Brasil e Portugal De lá pra cá, tantos passaram aqui com suas leis Dom Pedro, Getúlio, José Sarney 500 anos se passaram, não posso comemorar Ainda existe muita coisa que se deve mudar O povo é pobre, o povo ainda sofre Racismo, policia, violência, morte Realidade do Brasil é evidente Acontece todo dia na cara da gente O pior cego é aquele que não quer enxergar Que muitos homens lutaram, não conseguiram mudar Porque projetos são feitos a todo instante Mas o quadro no Brasil é cada vez mais alarmante Continua embaçado e não vai melhorar Por mais projetos que o homem possa realizar Não quero só criticar, vim aqui pra somar Sou um soldado de Deus, cheguei para lutar Com um arsenal pesado, consciente, informado Lutando pelo povo que não tem mais aliados Não contem estrutura e informação À mercê do sistema que tira nossa razão Temos que evoluir, temos que avançar O povo para vencer precisa se organizar A união da favela a forca intensificar Acreditarmos em Deus, para que possa melhorar Isso é o que predomina pra mudar o perfil Periferia X Brasil Realidade é muito triste O sistema faz o povo lutar contra o povo Mães chorando, irmãos se matando Fica perdida a pergunta: De quem é a culpa? Do poder, da mídia, minha ou sua?