Fresta na madeira, poeira no ar Um toque insistente faz o chão vibrar A casa em silêncio, ouço Teu falar A luz pela fenda começa a entrar Minha sombra cansada tenta me calar Travei o trinco por medo de errar Mas Teu nome chama, ecoa no meu lugar Entre culpa e fome, volto a respirar Eu olho a maçaneta, tremo ao lembrar Tuas mãos feridas vêm me resgatar Senhor, eu confesso, guardei cadeados no peito Colei etiquetas de vergonha nas paredes Sentei no chão frio do corredor da alma Mas ouço o Teu toque, não é cobrança, é graça Se estás à porta e bates, eu não quero adiar Ensina minha mão a girar a chave do sim Se Tua voz me chama, não vou recuar Abre o que escondi, deixa a luz passar Eis que estás à porta e bates, eu vou abrir Toma minha casa, vem cear aqui Tira o medo antigo, faz um novo vir Quando Tua luz entra, eu volto a existir Eis que estás à porta e bates, eu vou abrir Ferrugem cede ao óleo do Santo Trinco solta o hábito da estagnação Chave gira no compasso do sangue que venceu Eu decreto luz sobre cômodos abafados Vida nas gavetas de culpas antigas O Rei entrou, quebrou a rotina do escuro Seu passo no assoalho me faz levantar Tuas palavras limpas lavam meu altar No ranger da porta, Tu recomeças A poeira dança sob Teu olhar Tu preparas as mesas, chamas para assentar A Tua paz derruba todo o meu pecado Minha mão cansada agora quer ceder Se Tu és a vida, eu quero viver Se estás à porta e bates, eu não quero adiar Ensina minha mão a girar a chave do sim Se Tua voz me chama, não vou recuar Abre o que escondi, deixa a luz passar Eis que estás à porta e bates, eu vou abrir Toma minha casa, vem cear aqui Tira o medo antigo, faz um novo vir Quando Tua luz entra, eu volto a existir Eis que estás à porta e bates, eu vou abrir Tua luz corre corredor e quintal No batente velho nasce o Teu sinal Do ferrolho ao céu, tudo é Teu portal Onde a culpa erguia muro, hoje é espiral Eu deixo o Vento Santo reorganizar As molduras tortas do meu olhar Eu não atraso mais Teu passo no meu chão Tu és a chave, a porta e a canção Abre o coração, gira a chave A sala inteira aprende a respirar Tua luz acesa fica a me guiar A porta agora aberta não vai se fechar No Teu passo, me faz caminhar Banquete no umbral, começo de um lar Porta que se abriu não vai mais se fechar Quando Tu chamares, Mestre, eu vou Te escutar