Hoje em dia A gente paga por atenção Hoje em dia ninguém olha sem cobrar Pra alguém reagir, pra alguém fingir sorrir Qual é a lógica disso? Me explica então Se aplauso comprado, ainda vira emoção! Curtida virou moeda, troca sem coração Curtiu, comentou, compartilhou ilusão Se ninguém comenta, parece tão ruim A tela reflete o vazio que mora em mim Estamos carentes ou só depressivos Rodeados de gente, sozinhos consigo Todo mundo falando, ninguém escutando Vivendo de palco, morrendo no quarto Não é sobre fama, não é cifrão É sobre existir na validação Mas quando atenção vira profissão Quem paga por ela perde a noção A gente paga por atenção Compra um olhar, aluga emoção Vive alguns segundos de sensação Num palco pequeno chamado ilusão E no meio dessa confusão A alma grita em modo avião Conectado em tudo, menos no coração Que lógica é essa da nossa geração? Idolatramos rostos que nem sabem quem somos Vendendo felicidade em pacotes e promos Objetos prometem o que nunca dão Preenchem o feed, mas não o coração O celular deixou de ser ferramenta Virou extensão da mente que não aguenta Dormimos com ele colado na mão Acorda antes da alma, sem direção Se não vibra, parece que algo morreu Mas o que morreu foi o tempo que era meu Scroll infinito, vazio real Quanto mais conectado, menos social Não é exagero, é vício mascarado Coleira invisível, controle disfarçado Quanto mais a gente rola, menos sente O dedo se move, o coração mente A gente paga por atenção Compra um olhar, aluga emoção Vive alguns segundos de sensação Num palco pequeno chamado ilusão E no meio dessa confusão A alma grita em modo avião Conectado em tudo, menos no coração Que lógica é essa da nossa geração? Talvez a revolução seja desligar Olhar no olho, voltar a escutar Porque atenção de verdade não tem preço Talvez falte atenção Pra quem não cobra dinheiro, por um pouco de empatia A gente paga por atenção Compra um olhar, aluga emoção Vive alguns segundos de sensação Num palco pequeno chamado ilusão E no meio dessa confusão A alma grita em modo avião Conectado em tudo, menos no coração Que lógica é essa da nossa geração?