Pra este tempo quântico Eu vou compor um cântico Falando da vida E das coisas que eu sei Calando o medo Espalhado no mundo De um jeito vagabundo Que eu sempre terei Apesar da fama De gostar de brama Carrego no peito A minha lucidez Pois todo o cidadão Deve fazer além Do que pagar as contas Todo fim de mês! Então não digo amém Ao santo sacrifício Prefiro o precipício Que a mediocridade Prefiro a insanidade Do que a idiotice Ciência da burrice Deus me livre e guarde! E disse o Caetano Em sua poesia Gente é pra brilhar Não é pra morrer de fome! Assino meu nome Embaixo desse verso E assim vou tecendo Nesse manifesto A teia da vida Que um dia sonhei! Pois saiba você Que está na sua sala Na frente da tela Da televisão Não acredite em tudo O que vê Em tudo que ouve Em tudo o que lê Destranque a porta Arrombe a janela E deixe seu medo Ao menos um dia Caminhe na rua Sem um rumo certo Um certo poeta Já nos ensinou Caminhante, não há caminho Não há destino ou chegada O caminho se faz na estrada O caminho se faz ao andar! E sinta na face O doce ar da noite Esnobe do açoite Daquele mulher Que um dia te encontra Esteja onde estiver Que a dama de negro Te encontre ao menos Vivo e decidido Ereto, ousado Feliz por ter tentado Ao menos uma vez!