Assentados em seus tronos Governando com mãos de aço Na surdina, traçam seus planos Nas sombras estão os seus passos Se fartam em banquetes e festas Enquanto a fome corre pelas veias Saciam a própria sede com vinho Estão em paz a todo instante A todo instante Os homens e os seus reinos Em seus palácios perfeitos Riem de um canto a outro Dormem tranquilos em seus travesseiros Sem pensar em nós Quem os destronará? A mão que põe a máscara É a mesma que compra, limpa e quebra o espelho Eles serão derrotados? A imagem do caos que vejo Ganhou mais uma moldura na parede Onde estão Os homens e os seus reinos? Pele e ossos, olhos vermelhos Suportando com nervos de aço Com papel e caneta nos dominam Os nossos pés estão descalços Rumores de guerra nos assombram Nos convencem a ir à luta Onde está a nossa liberdade? Em meio aos escombros sentimos a culpa Os homens e os seus súditos Acorrentados como animais Nos levam de um canto a outro Marionetes sob os seus desejos O que vai ser de nós? Quem os destronará? A mão que põe a máscara É a mesma que compra, limpa e quebra o espelho Eles serão derrotados A imagem do caos que vejo Ganhou mais uma moldura na parede Onde estão Os homens e os seus reinos? A corrupção está enraizada! Os súditos com mãos e rostos sujos de cinzas! Há mãos sujas de sangue! A balança da justiça está vazia? Há dois pesos e duas medidas? Estamos cheios de tanta indiferença! O que fazer? O que dizer? Ainda nos resta tempo? Ainda há coragem? Mentes inescrupulosas! Até quando estarão no poder sem temerem? Até quando ficaremos em silêncio vendo a opressão prevalecer? Compram a paz por qualquer preço E vendem-na por um alto preço injusto demais Lambuzam-se com seus finos manjares Enquanto catamos as sobras entre ratos e moscas! Como cães famintos, não dormimos em nossos travesseiros! Na sujeira desse mundo, vendo as noites passarem em claro! Promovem as guerras e depois viram as costas! Se pudessem, venderiam até as nossas almas Quando serão derrotados? Quando a justiça será feita? Os olhos que veem o medo São os mesmos que causam todo o desespero Que caiam os seus tronos Que os tronos sejam desfeitos!