Enquanto houver canção Enquanto eu respirar Atenta pra beleza do desabrochar Da vida Cheiro de café recém passado A voz que reverbera nesse chão azulejado O misto de desejo, dor e medo O rosto a quem confio meus segredos O mato que insiste em crescer O dia que teima em nascer A voz que se encontra ao cantar O verso que urge ao brotar Dá teu jeito Faz tuas voltas Que a poesia precisa existir Que a poesia insiste em ficar Como a onda que teima em bater E o sal que só sabe salgar A ferida que pulsa ao doer E que um dia vai cicatrizar A poesia precisa existir A poesia insiste em ficar Como a voz que insiste em cantar Num trago do mais puro ar Bêbada do maior não-segredo A poesia insiste em ficar