Não foi um verbo preso a pergaminho Foi no silêncio que lavou os pés Foi a seiva que nutriu a videira Antes que o fruto fosse concebido O alicerce do mundo já era amor E o amor já era o corpo a ser partido Amor é dar a vida pelo amigo É a medida, sem medida, do destino Não há maior que este mandamento Amar a Deus com todo sentimento E foi assim que a eternidade escreveu Na tinta viva do seu próprio lado Deus é amor, e esse verbo se fez carne Para que o amor não fosse só palavra Não é um conselho, nem filosofia É o caminho, verdade vida É o grão de trigo caindo na terra É quem levanta a ovelha machucada É a face que se volta para o açoite É quem paga dívida, sem ter dívida É o cálice aceito na vigília É ágape nem troca, nem barganha É vontade em ação, é lâmpada que não se apaga É a toalha e a bacia, é a última ceia É o rei servi seu servo É a cruz erguida antes da fundação O olhar que vê em nós o alicerce Mesmo sabendo de cada negação Amor é dar a vida pelo amigo É a medida, sem medida, do destino Não há maior que este mandamento Amar a Deus com todo sentimento E foi assim que a eternidade escreveu Na tinta viva do seu próprio lado Deus é amor, e esse verbo se fez carne Para que o amor não fosse só palavra Amor é dar a vida pelo amigo É a medida, sem medida, do destino Não há maior que este mandamento Amar a Deus com todo sentimento E nessa história, feita de sangue e graça Para que o amor não fosse só palavra Foi no madeiro, entre duas espessuras Foi a prova concreta, a definição divina