Nasce com as mãos limpas num mundo apodrecido Promessas eram ouro, mas o ouro era maldito Eu lutei pelo bem quando o bem ainda mendia Sorri para bandeiras que apunhalavam a noite friia O herói usava luz para esconder sua intenção Eu via o que ele fazia quando não tinha canção Chamaram de justiça o que era execução E me pediram silêncio ou submissão Cada escolha custava sangue, cada verdade virava crime Quando eu disse não, o mundo me deu um nome horrível Eu me tornei o vilão porque alguém tinha que sujar as mãos Num mundo que finge ser santo enquanto apodrece por dentro em oração Me tornei o vilão para proteger o que sobrou de mim Se a verdade é um pecado, então eu carrego o inferno até o fim Minha armadura negra não é símbolo do mal É caixão para cicatrizes que não fecham igual Cada marca no aço é uma história omitida Cada golpe que eu dei foi para manter alguém viva Minha espada não julga, ela me mantém de pé Muralha contra o mundo que esqueceu o que é fé Eles dizem monstro, eu digo consequências Sou o erro que nasceu da negligência O herói escreve a história com tinta feita de medo Eu virei o capítulo que eles rasgaram segredo Me tornei o vilão quando salvar custava mais que matar Quando a paz era só um discurso e a guerra já de dono e altar Me tornei o vilão, alguém tinha que ver Que às vezes o mal não nasce, ele é forjado para sobreviver Se eu cair não haverá estátuas, não haverá canções Mas enquanto eu respirar o mundo vai lembrar que o herói também sangra Não peço perdão, não busco redenção Meu nome é um aviso, não uma absolvição Se um dia a verdade romper essa prisão Talvez entendam o berço da salvação Me tornei um vilão para que crianças não precisem ser Para que alguém carregue o ódio e o mundo tenha a chance de viver Me tornei o vilão, se esse é o custo de ousar que me temam Mas nunca digam onde eu deixei de lutar A história chama de vilão A verdade me chama pelo nome